6 de mai de 2014

Dias perfeitos - Raphael Montes

Editora: Companhia das Letras
Páginas: 280
Resenhado por: Ana Paula da Cruz

Téo é um solitário estudante de medicina que divide seu tempo entre cuidar da mãe paraplégica e examinar cadáveres nas aulas de anatomia. Durante uma festa, ele conhece Clarice, uma jovem de espírito livre que sonha tornar-se roteirista de cinema. Ela está escrevendo um road movie sobre três amigas que viajam em busca de novas experiências. Obcecado por Clarice, Téo quer dissecar a rebeldia daquela menina. Começa, então, uma aproximação doentia que o leva a tomar uma atitude extrema. Passando por cenários oníricos, que incluem um chalé em Teresópolis e uma praia deserta em Ilha Grande, o casal estabelece uma rotina insólita, repleta de tortura psicológica e sordidez. O efeito é perturbador. Téo fala com calma, planeja os atos com frieza e justifica suas atitudes com uma lógica impecável. 



Tem uma TAG, não lembro o nome dela agora, que pergunta algo parecido com “um livro que te perturbou ou que te deixou pensando nele por muito tempo” (algo assim). Neste momento, após a leitura de Dias Perfeitos, com toda a certeza do mundo eu responderia: esse livro é chamado Dias Perfeitos. 

Terminei a leitura e fiquei tão transtornada que eu não conseguia parar de pensar nele, fui acordar a minha mãe para contar sobre este livro porque se eu ficasse com aquela agonia dentro de mim parecia que eu ia explodir, e hoje no trabalho também, falei dele o dia inteiro, pra ver se a perturbação diminuía um pouco. Não adiantou... ainda estou com a história na cabeça e aquele final me deixando louca.

Conhecemos Téo e suas características psicopatas logo nos primeiros capítulos, para chocar mesmo logo de início. O jovem estudante de medicina se vê encantado e atraído por Clarice, a qual conhece em um churrasco. Clarice é uma menina de espírito jovem e aventureiro, sem regras para a vida, e parece ser exatamente isso que mais atrai Téo, a vontade de podá-la – literalmente – a seu bel prazer. 

Quando começa a “aventura forçada” de Léo e Clarice vamos penetrando cada vez mais na cabeça e nos pensamentos de Téo. Vamos compreendendo (se é que isso é possível) as “razões”, razões essas que só fazem sentido na cabeça doentia dele, para estar fazendo determinadas coisas e a certeza, convicta, de que ele está certo e fazendo isso para o bem dele e de Clarice (para isso leia-se: as coisas doentias que ele faz ao longo do livro e que eu não posso mencionar aqui para não dar Spoiler e manter a surpresa e o horror acesos e genuínos ao longo da leitura – Ufa!).

Achei a trama que decorria em volta de Téo e Clarice muito boa e desenvolvida com uma maestria ímpar. Motivações e explicações do porque Téo era assim ou do porque Clarice agia daquela forma eram embasadas e tudo tinha um por que. Tudo o que acontecia com eles, tudo mesmo, me deixava sem fôlego, surpresa de verdade em muitos momentos e muito, muito, assustada com o fato de pensar que esse tipo de coisa pode realmente existir por aí. 
Alguns fatos me irritaram na leitura. O fato da mãe de Clarice não ter dado bola para a filha ter viajado com um cara que conhecia há pouco tempo, não se importar com a falta e a distância da filha, com nunca ter notícias... enfim. Porém, essas características foram explicadas e pensadas, afinal a Clarice era uma filha distante e solta na vida e sua mãe já estava “acostumada” com esse desleixo... não foi furo no enredo nem nada, apenas uma coisa que me incomodou pessoalmente. Uma cena com um policial também me deixou bem incomodada devido a um acontecimento e o final – ainda estou remoendo este final – foram coisas que atrapalharam um pouco na hora de julgar a leitura.

Que final surpreendente. Dentre todas as opções de final para esta leitura eu jamais cogitaria a usada pelo autor. E, confesso, apesar de brilhante, me incomodou muito. Até a última frase ele me deixou com uma pulga atrás da orelha e surpreendeu. Realmente, uma leitura de tirar o fôlego. Recomendo muito para quem gosta de leituras pesadas e que vão te deixar pensando por muitos e muitos dias ainda depois de ler. Mas, tenha estômago forte!

“Ele amava Clarice, admitiu. Precisava ser amado”. Pág. 30

3 comentários:

  1. Olá Andresa!!!! Tudo bem? Te conheço de algum lugar? hahaha

    Ei menina, que blog lindo, amei, parabéns.... :D

    Este livro tem me chamado atenção... se é daqueles que perturbam e tiram da zona de conforto, com certeza tenho de ler... ^^

    Beijos!!!

    http://escrev-arte.blogspot.com.br

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  2. Oi Ana!

    Adorei sua resenha e só me deu mais vontade de ler Dias Perfeitos, acredito que seja meu tipo de leitura, aquela que incomoda MUITO o leitor.

    Espero que eu consiga esse livro em breve, porque não vou aguentar esperar muito tempo pra ler esse livro HAUEHUAEHUAE

    Beijos,
    ~nathália n.
    www.livroterapias.com

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  3. Olá flor,

    Eu morro de medo de livro de terro, ou suspense que tenha psicopatas então estou lendo sua resenha e pensando será que eu tenho coragem para embarcar nesta historia, e qual é os pensamentos tão perturbadores que deixou a Andresa tão nervosa. Hum não sei se vou querer descobri não.

    http://loucaescrivaninha.blogspot.com.br/

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