3 de jan de 2012

In Bookshelf Entrevista... Lu Piras

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Você poderia nos contar um pouquinho sobre o seu lançamento?

Comecei a divulgação de Equinócio há cerca de duas semanas. A aceitação tem sido tão boa, que eu já selei várias parcerias com ótimos blogs e já atrai a atenção de algumas editoras. O objetivo é esse mesmo. Chamar atenção para o meu livro, ao mesmo tempo em que avalio as reais possibilidades do sucesso. Posso dizer que o balanço até agora é muito positivo. A petição online está crescendo, os seguidores do blog também. Divulgação é a alma de qualquer negócio. E para o escritor nacional, esse lema tem que ser ainda mais levado a sério. Aqui no Brasil as coisas no mercado editorial levam mais tempo para acontecer, a publicação de um livro e o seu sucesso depende muito mais do autor, dos seus contatos e de bons contratos, do que lá fora. Por isso, desde já agradeço muito aos blogs literários e ao meu agente literário, Bruno Borges, por acreditarem no meu trabalho. 


De onde surgiu a idéia de explorar o tema proposto no livro?

Em 2008. Eu estava vivendo em Portugal. O tema de anjos passava longe do meu imaginário. Na verdade, escrever um livro não estava nos meus planos concretizáveis. Não é papo furado, não: eu sempre me reconheci como escritora, mas nunca pensei seguramente sobre fazer disso uma carreira. 
Mas depois de um sonho (ou alucinação, sei lá!), esse meu desejo veio à tona. E quem me fez imaginar isso foi um anjo. Eu estava precisando acreditar em algo. 
Depois disso, decidi que escreveria um romance e que nunca mais adiaria nenhum sonho meu. Escrever sempre foi meu sonho. Assim que voltei para o Brasil, direcionei toda a minha vida e os meus objetivos para realizá-lo. Conheci a série Crepúsculo que até então nunca tinha ouvido falar, assisti ao primeiro filme, vi entrevistas da Stephenie Mayer e me empolguei. Porque uma dona de casa que nunca escrevera um livro poderia reinventar uma história de vampiros a partir de um sonho com um garoto que brilhava à luz do sol e eu, uma garota querendo recomeçar a vida e ainda meio perdida no timing da idade, não poderia escrever sobre anjos? Comecei a escrever alucinadamente. Durante 7 meses consecutivos. E o livro se tornou uma série. Descobri nessa altura que a temática de anjos estava sendo bastante explorada nos EUA e, a princípio, confesso que isso me incomodou um pouco. Pensei que pudesse haver uma saturação no mercado. Os anjos seguiram-se imediatamente aos vampiros, pegando carona no sucesso. Eu não tinha nada a ver com isso, pois Equinócio surgiu sem essas pretensões. Mas vi que meu sonho, que já contava com cerca de 1500 páginas, merecia que eu o levasse a sério. Precisava começar a pensar em termos de mercado e, por isso (porque adoro livros e tudo relacionado a eles!), entrei no curso de Produção Editorial na UFRJ. Aí, comprei todos os livros de anjos de que se tem notícia e percebi que Equinócio tem uma proposta bem diferente. Apesar do tema em comum, escrevi sobre o amor sobrenatural entre a humana Clara e o anjo Nate por um prisma não explorado naqueles livros. Tem muito mais de “Cidade dos Anjos”, é quase uma versão feminina dele. 

Porque a capa nos lembra tanto a série Crepúsculo? Tem alguma explicação ou foi algo acidental?

Pela minha resposta à pergunta anterior, já dá para concluir que não foi acidental. Criei um post no meu blog explicando as semelhanças entre as duas capas e vou me aproveitar dessa explicação agora. Quando criei a capa de Equinócio, concentrei minha atenção em algo que tivesse textura macia e forma semelhante às penas de anjo. Procurei algo que lembrasse a fragilidade e a delicadeza da protagonista. E encontrei o símbolo perfeito, aquele mesmo que acompanha Clara e Nate ao longo de toda a história: o jasmim. 
A conexão com Crepúsculo não é ao acaso, nem é um mero artifício. A uma inspiração em comum em Crepúsculo e Equinócio, algo que eu absorvi de Crepúsculo enquanto escrevia Equinócio. O amor. O amor que por ser proibido é mais tentador. O amor que por não ter limites, ultrapassa fronteiras e vence barreiras. Um amor que para vencer, demanda que se abdique de algo. No caso de Crepúsculo, Bella abdica de sua mortalidade. No caso de Nate, ele precisa abdicar de sua imortalidade. Enquanto a protagonista de Crepúsculo está disposta a perder sua característica humana pelo amor a um vampiro, o protagonista anjo de Equinócio está disposto a perder sua característica celestial por amor a humana Clara. Assim, no lugar da maçã (o fruto proibido) de Crepúsculo, um buquê de jasmim é oferecido, simbolizando a pureza. Não se trata de uma escolha entre o bem e o mal (como a da protagonista de Crepúsculo), mas da representação da própria origem do vínculo dos protagonistas. O objetivo das mãos em concha em Equinócio não é ter em mãos um fruto proibido. É oferecer algo; por isso, o gesto lembra um buquê. Nate, como anjo da guarda, oferece proteção, cuidado, paz, conforto, à sua protegida Clara. Ele é o guardião de sua vida, tão frágil e perene diante de sua forte e infinita existência.Existe, portanto, uma conexão proposital com Crepúsculo apenas no que tange à inspiração na forma como foi construído o amor entre os protagonistas. Todavia, há uma diferença imensa nas duas formas de amar. Bella ama o perigo. Clara ama o divino. Mas enquanto Bella se entrega facilmente ao sentimento por Edward, mesmo sabendo dos riscos do envolvimento com ele, Clara reluta em entregar-se e em assumir o que sente por seu guardião. A ideia de Nate como um ser sagrado a faz ponderar, embora ela nunca tivesse de fato força de vontade para negar o que sentia. O dilema de amar o proibido está presente nos dois livros, embora de forma distinta. 


Quais são suas expectativas com Equinócio?

Minhas expectativas são as melhores possíveis e estou construindo-as dia a dia, rumo à publicação. 
Acredito muito no sucesso deste primeiro livro que tem um final, mas não se encerra em si mesmo, abre espaço para as sequências, que aprofundam muito a história. Tenho um público-alvo Juvenil-adulto, que curte romances sobrenaturais e que acredito que se identificará com a história, que viverá junto com Clara todo o romance. 



Como é ser escritora no Brasil atualmente?

Continua sendo uma carreira arriscada e, de certo modo, pouco valorizada. É preciso investir tudo, o tempo, o dinheiro, si mesmo. Mas pelo sonho, vale à pena. O reconhecimento pode demorar aqui no Brasil, mas ele vem. As coisas estão mudando, bons ventos começam a soprar por aqui com novos projetos e iniciativas de divulgação dos autores nacionais. O autor nacional tem que correr atrás do seu lugar ao sol mais do que lá fora, é verdade. As editoras brasileiras não apostam suas fichas (muito altas, porque investir em livros demanda muitos riscos) em alguém que não tenha talento, em alguém que não seja conhecido ou que não saiba se promover. Elas são bastante seletivas. Por isso, não basta ter talento. O autor precisa fazer propaganda de si, do seu trabalho, precisa estar seguro, ser ousado e ir à luta. Todos os dias. 

Rapidinhas:

- um livro: “O caçador de Pipas”, Khaled Hosseini. 

- uma música: “Everything I do, I do it for you”, do Bryan Adams.

- uma banda: The Killers

- uma frase: “Volta teu rosto sempre na direção do sol, e então, as sombras ficarão para trás.” (sabedoria oriental)

- um sonho: O do momento. Publicar Equinócio. 

2 comentários:

  1. Adorei a entrevista!!
    Fiquei muito curiosa sobre o livro, com certeza vou ler =)
    bjs

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  2. Mais uma vez, agradeço a oportunidade de divulgar o livro. É um prazer ser parceira deste blog, acompanhá-lo e divulgá-lo também.

    Um beijo carinhoso para todos que apostam no sucesso de Equinócio,

    Lu

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