9 de dez de 2013

O Jantar - Herman Koch

Editora: Intrínseca
Páginas: 256
Resenhado por: Ana Paula da Cruz


Em uma noite de verão, dois casais se encontram em um restaurante elegante. Entre um gole e outro de vinho e o tilintar de talheres, a conversa mantém um tom gentil e educado, passando por assuntos triviais como o preço dos pratos, os aborrecimentos do trabalho, o próximo destino de férias. Mas as palavras vazias escondem um terrível conflito, e, a cada sorriso forçado e cada novo prato, o clima fica ainda mais tenso.







Vários fatos neste livro me deixaram interessada na leitura, primeiramente o fato de ser escrito por um autor holandês e também se passar na Holanda, nunca havia lido história alguma neste país. Além disso, o fato de ser um thriller psicológico me deixou encantada e curiosa pelo desenrolar da história e dos acontecimentos. A sinopse extremamente interessante e a promessa de ser uma história de tirar o fôlego também contaram muito. E realmente, não tenho quase nenhuma queixa sobre ele.

O Jantar foi uma leitura que mexeu com muitos sentimentos. No início somos apresentados a Paul e sua Esposa Claire, que estão indo a um jantar com o irmão e a cunhada de Paul, Serge e Babette. Somos introduzidos também a um acontecimento que liga as duas famílias, até então um mistério e que é algo que os primos, filhos de cada casal, teriam feito juntos e que é extremamente terrível. 

A história é narrada em primeira pessoa por Paul – e sou obrigada a admitir que nesse thriller foi bem agonizante estar dentro da cabeça deste personagem, porém extremamente pertinente ao tema e a história. Algumas vezes, para mim, tornou-se um pouco maçante, pois os pensamentos de Paul são muito densos e vão desde o mindinho do garçom apontando a comida quando chega até aos sentimentos mais complexos, porém tudo está dentro de contexto e é coerente. O livro inteiro transcorre todo em uma noite, dentro do restaurante e ao longo do jantar. 

Para compreendermos melhor o que está acontecendo e os motivos para tais episódios e pensamentos de Paul no presente, conhecemos o passado dele e de sua família, com passagens intercaladas. O que, mais uma vez, foi uma jogada de gênio do escritor, pois, junto com as peças do passado e à medida que elas vão se revelando na leitura, o jantar vai passando (entrada, prato principal, sobremesa, etc) e a história do presente vai se explicando e ficando mais clara e quando compreendemos a grandiosidade do que aconteceu, embasada pelo passado e concretizada no presente, estamos abismados.

A “jogada psicológica” que o autor fez neste livro é sensacional. Começamos pensando que conhecemos quem é lobo, quem é cordeiro, quem está certo e errado... Mas quando chega ao fim pensamos: como pude me enganar tanto? O Jantar é um livro muito inteligente e que, com certeza, ficará na cabeça de quem o lê por muito tempo. Instigando a acreditar, ou não, nas pessoas.

“Ele olhou para mim. Olhei para ele. Olhei nos olhos do meu filho.
- E agora vocês está rindo de novo - falou. - Tem certeza de que quer ouvir tudo?
Eu não falei nada. Apenas olhei.
 Pág. 254.

5 comentários:

  1. Uou, cara. Sério que esse livro conseguiu ser desenvolvido num jantar e continuar bom? Isso parece ser bem peculiar.

    Clara
    @mmundodetinta
    maravilhosomundodetinta.blogspot.com.br

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  2. Só a sinopse já colocou minha mente fértil pra trabalhar e vc disse que o livro se passa num jantar, entre as refeições, e já me animei... uma temática bem diferente!

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  3. Como foi que o autor conseguiu desenvolver 256 páginas de uma história que se passa apenas em um jantar? Me parece muita coisa!
    O livro me deixou curiosíssima, pelo fato de acontecer em apenas uma noite e por ser um thriller. Não conhecia esse livro ainda, mas eu fiquei com muita vontade de ler, de verdade.
    Quem sabe um dia eu consiga lê-lo, não é?

    Beijos!
    http://temponaoperdido.wordpress.com/

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  4. Fiquei meio em dúvida quanto a ler esse livro, porque, bem, como alguém disse ali em cima, acho complicado uma história de 256 páginas transcorrer toda em um jantar! Fiquei com medo de ser muito maçante, como você falou, de descrever coisas mais 'bobinhas' assim.
    Mas bem, tenho que reconhecer que também fiquei intrigada, porque querendo ou não, parece ser bem diferente. Quem sabe eu dê uma chance a esse livro mais pra frente, né?

    Beijos
    http://boombacereja.blogspot.com.br/

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  5. parece ser ótimo, do tipo que nos prende, mas ao mesmo tempo nos cansa por ser tão descritivo e denso.
    dependendo da minha fase eu leria, e certeza iria gostar.

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