13 de mar de 2014

Adeus à inocência - Drusilla Campbell

Editora: Novo Conceito
Páginas: 272
Resenhado por: Ana Paula da Cruz

Madora tinha 17 anos quando Willis a “;resgatou”;. Distante da família e dos amigos, eles fugiram juntos e, por cinco anos, viveram sozinhos, em quase total isolamento, no meio do deserto da Califórnia. Até que ele sequestrou e aprisionou uma adolescente, não muito diferente do que Madora mesmo era, há alguns anos... Então, quando todas as crenças e esperanças de Madora pareciam sem sentido — e o pavor de estar vivendo ao lado de um maníaco começava a fazê-la acordar —, Django, um garoto solitário, que não tinha mais nada a perder depois da morte trágica de seus pais, entrou em sua vida para trazê-la de volta à realidade. Quem sabe, juntos, Django, Madora e seu cachorro Foo consigam vislumbrar alguma cor por trás do vasto deserto que ajudou a apagar suas vidas?



Adeus à Inocência está sendo uma incógnita na minha vida literária. Espero que escrevendo esta resenha eu consiga colocar as ideias e os sentimentos em ordem na minha cabeça.

Ao longo da história somos apresentados a quatro e também ao Foo, cão de Madora. Madora, aos 17 anos e após uma série de atos impensados e irresponsáveis, conhece Willis - o qual ela pensa ser seu anjo salvador.   Cinco anos de convívio harmonioso e tranquilo, na vida conjugal vivida em uma casinha abandonada e solitária na cidade desértica de Arroyo,  Willis traz para dentro de casa uma menina grávida e a mantém em cativeiro sem maiores explicações. Após este fato, Madora começa a questionar a relação que mantém com Willis e, principalmente, este e outros fatos esquisitos de seu namorado.

Em paralelo, Jango é um menino de 12 anos, de família muito rica, e que acabou de perder os pais em um acidente terrível. Por conta disso, teve que ir morar em Arroyo com sua tia, Robin. Incuravelmente entediado e triste demais pela perda, após uma ajuda do destino, Django conhece e adora logo de cara Foo. Este encontro faz com que Django chegue em Madora na casinha solitária, e os dois, machucados e engolidos pelo clima árido do deserto, vão começar a enxergar novos horizontes – para ambas as dores que sentem, tanto da perda quanto da submissão.

Confesso que esperava um livro que abordasse mais a questão da tristeza e da procura de Madora por uma melhora em sua vida, e, a partir disso, que a autora fosse então desenvolver uma redenção com a ajuda de Django, e não a partir de Django, o menino tem 12 anos e levou tudo “nas costas” - sendo que a perda dele foi acidental; já Madora teve escolha quando decidiu ir embora com Willis. O que encontrei foi uma redenção e um crescimento pleno e a olhos vistos da personagem principal, porém me encontrei presa na vida entediante de Madora por páginas e páginas quando ela era quem narrava. Apenas quando Django aparecia dava alguma luz colorida à leitura e os olhos de Madora se abriam. Era só ele ir embora que as cinzas retornavam. 

Um fato que me incomodou bastante foi que, não suficiente o sofrimento de dois dos personagens, Robin, lá pelo fim do livro, também tem um segredo devastador revelado para ela, e que abala suas estruturas. Achei desnecessário e me pareceu que a autora se perdeu um pouco e quis dar uma “enroladinha”.

Uma narrativa um pouco lenta, porém instigante e muitas vezes agoniante (podia jurar que estava sufocada pelo calor narrado). Não gostei da personagem de Madora. Achei que ela demorou demais para se dar conta das coisas perturbadoras que aconteciam a sua volta. Porém, levando em conta a idade e a dependência que tinha de Willis, de repente tenha como relevar a cegueira dela. Django é um menino muito cativante e inteligente, gostei dele desde o início. 

“A cautela fincava as garras em suas omoplatas, e uma cobra de dor desenrolava-se pela sua lombar e descia pelo quadril. Agora ela sabia que era frágil; e com essa percepção, o planeta podia também ter parado e invertido a sua rotação, a transformação de seu mundo era drástica assim.” Pág. 183

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