15 de jul de 2014

Minha metade silenciosa - Andrew Smith

Editora: Gutenberg
Páginas: 304
Resenha: Victor Lopes

Stark McClellan tem 14 anos. Por ser muito alto e magro, tem o apelido de Palito, mas sofre bullying mesmo porque é “deformado”, já que nasceu apenas com uma orelha. Seu irmão mais velho, Bosten, o defende em qualquer situação, porém ambos não conseguem se proteger de seus pais abusivos, que os castigam violentamente quase todos os dias. Ao enfrentar as dificuldades da adolescência estando em um lar hostil e sem afeto – com o agravante de se achar uma aberração –, o garoto tem na amizade e no apoio do irmão sua referência de amor, e é com ela que ambos sobrevivem. Um dia, porém, um episódio faz azedar terrivelmente a relação entre Bosten e o pai. Para fugir de sua ira, o rapaz se vê obrigado a ir embora de casa, e desaparece no mundo. Palito precisa encontrá-lo, ou nunca se sentirá completo novamente. A busca se transforma em um ritual de passagem rumo ao amadurecimento, no qual ele conhece gente má, mas também pessoas boas. Com um texto emocionante, personagens tocantes e situações realistas, não há como não se identificar e se envolver com este poético livro.

Os dramas juvenis estão em alta, principalmente desde o lançamento de “A Culpa é das Estrelas” e seu enorme sucesso. Assim como foi com os vampiros e os livros eróticos, as distopias e os romances sobrenaturais. Sendo assim, alguns destes livros se destacam, ganhando fama e uma legião de fãs, enquanto outros permanecem esquecidos nas prateleiras. “Minha metade silenciosa”, do autor Andrew Smith, é mais um nessa leva de dramas juvenis, mas dentre os muitos lançados por aí, ele definitivamente não é do tipo a ser esquecido.

A história fala sobre Stark McClellan, mais conhecido como Palito, um garoto que nasceu sem uma orelha, e por isso nunca foi muito sociável, tendo em seu irmão, Bosten McClellan, o melhor amigo e praticamente a única companhia nos momentos difíceis pelos quais eles passam dentro de casa com seus pais.

Por mais que você se ache uma pessoa forte, que não se abala com dramas, por mais que você não se sinta triste com livros, ainda assim “Minha Metade Silenciosa” vai te abalar. Digo isso por experiência própria. Não é só mais um drama juvenil com pontos tristes, é uma história triste, pesada, com altíssimo teor de drama. E quando digo que é um drama juvenil, não imagine romances adolescentes, pois o enredo deste livro envolve muitas coisas, inclusive romance adolescente, mas seus temas são mais pesados do que muitos livros adultos.

Não é difícil se pegar extremamente chocado durante a leitura, cada página descreve coisas que são muito complicadas de se imaginar. Há coisas boas também no livro, mas o foco principal está nos jovens irmãos e suas vidas cheias de empecilhos e fatos que os levam cada vez mais longe da felicidade.

O autor Andrew Smith é simplesmente genial, não só pela maneira diferente com que ele escreve o livro, utilizando-se de longos espaços para descrever a maneira com que o personagem principal escuta as coisas, mas todo o seu texto faz com que os sentimentos transmitidos pela história sejam ainda mais apreendidos e fiquem bagunçando nossa cabeça, nos fazendo pensar em tudo durante muito tempo depois de terminar o capítulo, ou a página, ou a frase. Tudo fica preso em nossa mente.

“Minha Metade silenciosa” é um livro sobre família, relacionamentos, sexualidade, drogas, experiências das mais variadas quando se está na adolescência, coisas que moldam o futuro e que faz o leitor pensar em sua própria vida, pensar nas coisas pelas quais passou e, principalmente, pelas quais não passou. Com personagens fortes e suas personalidades variantes, tão humanos que nos fazem olhar no espelho para repensarmos nossas atitudes. Leia este livro com cuidado, pois os sentimentos envolvidos são fortes e podem mudar tudo na sua vida, principalmente a maneira com que você vê o mundo e a si próprio.

“Acho que, às vezes, coisas que parecem muito importantes tomam outro aspecto quando a gente se vira e olha de novo alguns quilômetros adiante.”

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