11 de nov de 2014

As gêmeas - Saskia Sarginson


Editora:Novo Conceito
Páginas: 320
Resenhado por: Ana Paula
As gêmeas Isolte e Viola eram inseparáveis na infância, mas se tornaram mulheres muito diferentes: Isolte tem um emprego glamouroso em uma revista de moda de Londres, namora um fotógrafo e vive em um bairro descolado. Viola, desesperadamente infeliz, luta contra um transtorno alimentar e não faz questão de se ajustar a nenhum grupo. O que pode ter acontecido para levar as gêmeas a seguirem trajetórias tão desencontradas? À medida que as duas jovens começam a reviver os eventos do último verão em família, terríveis segredos do passado vêm à tona – e ameaçam invadir suas vidas adultas.

Quando um livro te ganha pela capa o desejo é que o texto termine o trabalho, inebriando e deixando com mais e mais vontade de ler o livro. Em “As Gêmeas” foi o que, na maior parte do tempo, me aconteceu. A capa linda, a sinopse intrigante e um enredo que prometia bastante mistério me arrebataram de início.

“Não fomos sempre gêmeas. Antes fomos uma só pessoa.” Assim começa a história de Viola e Isolte. Logo no início compreendemos que, devido a um trágico acontecimento no passado delas, algo rompeu a vida que ambas tinham e fez com que lidassem com o ocorrido de formas diferentes. Enquanto, no presente, Isolte mostra-se forte, centrada e com uma vida bem feita e realizada, Viola definha em um leito hospitalar devido a um problema de transtorno alimentar, corroendo-se pela culpa. 

Mesmo percebendo desde o princípio a diferença de personalidade entre elas, onde Isolte era mais altiva, se impunha mais e Viola vivia mais às sombras, achei ótima a forma com que a autora “forçou” e caracterizou a diferenciação delas, deixando claro que, além de personalidades diferentes, depois de adultas, as gêmeas não têm nem mais o físico parecido. Cada uma virou uma pessoa diferente, não são mais “as gêmeas”, apesar da ligação entre elas continuar forte.

Com o passar dos capítulos, que são intercalados entre Viola, narrando em primeira pessoa, e Isolte, narrando em terceira pessoa, vamos conhecendo um pouco mais do passado das meninas e tendo a visão de ambas dos acontecimentos. Criadas pela mãe, sem saber quem era o pai, sempre tiveram uma vida muito livre de regras. Passando os dias de pés descalços, nadando, cabelos desgrenhados. Após o tal acontecimento, essa vida perfeita e livre das meninas tem fim. 

Ainda que a narrativa se passe no presente, o tempo todo somos remetidos ao passado das gêmeas para que compreendamos o porque a vida delas tomou o rumo que tomou e o que foi de tão grave que aconteceu, sempre com a  dose certa de suspense para que a curiosidade do leitor se torne cada vez mais aguçada. Conhecemos a cidade onde foram criadas, os amigos que fizeram, as brincadeiras que brincavam e, junto com isso, o fantasma da culpa que carregam. Ironicamente, é justamente voltando ao passado, voltando para a cidade onde foram criadas, é que Isolte ajudará Viola a aliviar a forma que pensa e a culpa que sente, e com isso, se recuperar desse mundo de automutilação no qual vive.

A narrativa da autora é brilhante, muitas vezes eu me sentia junto com as meninas. Sentia o vento, o cheiro da grama, o gelado do rio, a brisa morna... tudo tão perfeitamente detalhado que, ao final da leitura, parecia que eu conhecia tudo. É uma narrativa que, além de ser forte e magnífica, fala sobre dor, culpa, mas principalmente amor... amor fraternal e amor apaixonado, a dor do primeiro amor e a dor que sentimos quando, muitas vezes na vida, temos que sacrificar o nosso bem-estar para, assim, conseguirmos dar um pouco de paz e bem-estar para aqueles que amamos, para aquela outra metade que nos faz inteiros... Seja esse “inteiro” por um milésimo de segundo, ou por anos.

“É por isso que é estranho mas verdadeiro: fomos uma só pessoa antes, mesmo que tenha sido só por um milissegundo.” Pág. 05

Um comentário:

  1. Nunca tinha ouvido falar esse livro, mas eu também amei a capa e aparentemente é uma leitura que você não consegue parar!
    Entrou para a minha listinha de desejo!
    Beijos,
    Carol
    cappuccinowithlove.blogspot.com

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